Durante a formação em Engenharia Civil, questionava-se se os sistemas tornariam o engenheiro dispensável.
Na época, softwares já realizavam cálculos estruturais, simulações e dimensionamentos com grande velocidade. A impressão inicial era de que o papel do engenheiro seria reduzido a operar ferramentas.
Com o tempo, a realidade deixou claro que não existe sistema eficiente sem um operador que compreenda profundamente os conceitos da engenharia.
Um software pode dimensionar uma fundação em segundos, mas somente um engenheiro que domina mecânica dos solos, hipóteses de carregamento e limitações dos modelos consegue avaliar se o resultado é coerente com a realidade.
É verdade que, no passado, um projeto exigia muitos engenheiros, o que tornava o serviço caro e acessível a poucas pessoas.
Hoje, os sistemas aumentaram drasticamente a produtividade: um engenheiro bem preparado consegue fazer mais, possivelmente melhor e com menor custo, tornando a prestação de serviço acessível a um público muito maior.
Ao observar o mercado atual de desenvolvimento de sistemas, percebe-se um cenário semelhante ao vivido pela engenharia. Ferramentas modernas e a IA aceleram a produção, mas sem domínio dos fundamentos, o profissional não consegue validar, manter ou evoluir soluções. Assim como na engenharia, a ferramenta executa — o entendimento conceitual continua sendo humano.
A ferramenta não eliminou o profissional, mas o potencializou, e as preocupações se dissiparam, o mercado se ajustou e o mesmo movimento tende a ocorrer no desenvolvimento de sistemas nos próximos anos.